Brasil, eu é que pergunto.

O que é que está acontecendo, afinal?

Agora, já com os dois pés no Brasil, é que estou começando a me interar sobre a situação da população brasileira. Durante os 03 meses em que estive nos EUA, eu não acessei notícias e agora me parece que o mundo evoluiu 100 anos e eu fiquei para trás.

Vejo as informações em minhas redes sociais- desculpe mas estou sem TV e o acesso amplo a Internet é precário, já que, mais uma vez a GVT falhou conosco – as pessoas de que mais gosto dizendo que foram a protestos nas ruas de Belo Horizonte e até em outras cidades,

Imagem Ilustrativa

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Afinal Brasil, o que houve?

Eu não sei dizer o que foi o estopim destas “revoluções”, mas posso dizer, antes mesmo de saber a razão ou a circunstância, eu apoio. Já estava na hora não é mesmo?

Apesar de ser turismóloga e acreditar na força dos “Mega Eventos”, já faz bastante tempo que eu canto a pedra de que esta Copa do Mundo no Brasil não vai dar certo. Não que eu seja pessimista, pelo contrário, estou sendo otimista. Se eu fosse pessimista, diria que foi de péssimo gosto esta candidatura do Brasil e que uma Copa do Mundo no Brasil só se o país “nascesse de novo”. Além de fazer muito mal a nossa situação financeira é uma covardia com a população brasileira.

Eu me lembro bem, até hoje, do dia em que uma certa representante do Secretaria de Turismo de Minas Gerais (SETUR), durante uma palestra, revelou a todos os presentes que a Copa, seja das Confederações, seja a do Mundo em 2014 é coisa de estrangeiro. Brasileiro vai assistir a Copa de casa ou vai trabalhar como voluntário. Esssa senhora foi um “Nostradamus” que tinha poder de influir no futuro, mas que achou melhor fazer vista grossa e deixar o barco passar.

Imagem Ilustrativa

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E sobre o que eles manifestam?

Já ouviu falar na expressão “objeto de manobra” é isso que o brasileiro representa. Agora, mais do que nunca. Se eles querem fazer obras para melhorar a infraestrutura dos estádios, aumentam os impostos, se querem melhorar o transporte, fazem um novo aumento nas passagens, se eles querem que o brasileiro não atrapalhe, instituem um feriado ou ponto facultativo e mandam todo mundo para casa.

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Tá todo mundo igual a bananeira na tempestade (ou seria pé de bambu?), pendendo para algum lado e o pior é que nesse país de corruptos e hipócritas as bananas mais resistentes é que caem primeiro do pé.

Mães, pais, amigos, trabalhadores, nação. Eles manifestam contra a corrupção, o descaso, os impostos, a falta de empregos e claro, contra a arrogância de uma FIFA, que acha que é a rainha da cocada branca. Aliás, branca não, descendente da nobreza real. E como eles são recebidos? Com estilhaços, bombas de gás lacrimogeneo, com balas de borracha. Dai o que acontece? Os protestos pacíficos e legítimos viram pancadaria ao estilo do “salve-se quem puder”. E como se não bastasse, eles são humilhados e desacreditados.

Mas e ai, no final, a sua luta valerá a pena?

Desde as “Diretas Já” que o Brasil não se movimenta desta forma – aliás, é necessário lembrar que muitos dos nossos governantes atuais estavam lá, lutando lado a lado com a população que hoje eles chamam de escória. Puta merda.

Neste caso, mesmo que desacreditados, os nossos bravos heróis sempre serão recordados e muitas histórias serão contadas sobre eles. Gente como a gente, com sangue nas veias e que está casado de “passar a mão na cabeça” e deixar para lá essa palhaçada que a gente chama de política.

Me lembro que os Mutantes cantavam, sobre Pão e Circo e diziam que “as pessoas na sala de jantar são [muito] ocupadas em nascer e morrer ” e que por isso não elevavam suas vozes e protestavam. Mas hoje em dia, o pão é muito caro e o circo é para poucos.

Infelizmente, se eu dissesse alguma palavra a mais, estaria incorrendo em erro. Afinal, eu acabei de chegar e como eu disse, já se passaram-se 100 anos, desde que eu sai do Brasil. Mas eu me sinto [muito confortavelmente] como um homem-de- neandertal que acaba de acordar de um sono profundo e descobriu que a sua “oca” está virando um bom lugar para se viver.

Muito obrigada a todos os brasileiros que se engajaram na causa e não deixaram o barco correr.

Valeu a pena lutar? Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena (Fernando Pessoa).

Cellinda.

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