Arte da semana

Gente, olha só que loucura, dia 12 de junho já chegou.

Quem está namorando nem vai ler este post de hoje… então vamos mandar ver forever alones, esse post é dedicado a vocês.

BEIJO

Hoje é o dia da “arte da semana” e ela trata justamente desses conflitos de amor, viuvez e solteirice. O tema dos trabalhos s dessa semana é correspondência com a memória, e é isso que eu estou retratando nessa arte, as memórias que eu tenho da minha família, com um destaque especial para o meu pai.

Estas memórias deveriam sere apresentadas por meio de mail art – que são texto, desenhos e postais, pequenas obras de arte para serem enviadas por correio. Esse tipo de arte teve início no final do século 19 e início do século 20. Então, eu fiz a arte em formato de envelope e cartões postais.

Um pouco do porque

Para quem não sabe, meu pai foi três coisas na vida: mineiro, dedicado e persistente. O bichinho era raçudo, teimoso e talentoso por demais. Além de bom pai e marido, claro.

Ele morreu de diabetes e outras complicações, se não me falha a memória em 01 de setembro de 2011. De toda forma, sempre importa mais como você viveu, do que como você morreu, certo? E meu pai viveu!

Eu representei, nestas imagens que você vai ver abaixo, meu pai, meus avós, minha mãe, eu e minha irmã.

Desta vez, eu vou fazer ao contrário, vou colocar as fotos, e depois explico o processo de criação. Ok?

Imagem 1, frente do envelope

Imagem 1, frente do envelope

Imagem 2, costas do envelope

Imagem 2, costas do envelope

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Como eu imaginei a obra?

Ao pensar sobre o que eu ia criar, a primeira coisa que me veio na cabeça foi, o que é memória? Para mim, memória é algo que diz respeito ao indivíduo, de uma maneira muito particular. Seus gostos, suas lembranças, suas afeições. Mas estas memórias só são produzidas no ambiente coletivo, no encontro com o outro. Por isto, eu resolvi representar nesta arte, não só as memórias da minha família, como também a identidade coletiva do mineiro.

Como a obra foi contruída?

Usando como pano de fundo as cidades mineiras de Betim (onde nasceu minha mãe)  e Oliveira (onde nasceu meu pai) eu reconstruí, à minha maneira, a história de Minas Gerais. Do tempo em que as casas tinham grandes quintais, com pequenas plantações e que o trem era o principal meio de transporte, de pessoas e mercadorias.

Nestes pequenos quadros estão apresentados os seguintes temas:

1 – A casa do meu avô – uma linda casa perto de um riacho, com uma plantação de milho e um roseiral representam o “Beira”. O sítio da família dos meus avós maternos, no qual eu passei um bom tempo da minha infância e do qual eu guardo muitas lembranças. A cidade representada ao fundo é Betim, a cidade em que mora a minha família.

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2- O trem – Um trem passa pelos trilhos trazendo em seus vagões diversas pessoas, bebês, idosos, bailarinas, cacheiros viajantes – homens e mulheres que deixaram suas casas em busca de uma vida melhor em outro lugar. Vale a pena dedicar alguns segundos ao céu, que representa uma bonita tarde em Minas.

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3- Pai encotra mãe 1 – No centro, há uma árvore e um sol e também letras E&S, representando o meu pai e a minha mãe – Elizete & Sérgio. Observe como a grama e o céu se fundem com os outros cenários.

4- A tempestade – O quadro a tempestade não tem elementos interconectantes com as outras cenas, pois representa uma grande mudança. O meu nascimento. “Yo”- em espanhol, significa eu, o ser que está dentro da barriga da mãe.

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5 – A praia – Quando éramos crianças, eu (M – Marcelle) e minha irmã (T – Tassia) gostávamos muito da praia. Eu tenho muitas lembranças destes momentos de diversão (nas praias de Castelhanos -ES e Porto Seguro-BA).

O cartão postal 1Pai encontra mãe 2 representa o meu pai e a minha mãe, dois seres tão diferentes que se unem. No centro do quadro, estão meus avós, representados como deuses que tudo vêem e que abençoam o amor do novo casal. A árvore representa a vida e a família, que crescerá forte e imaginativa.

Na parte posterior do cartão há uma mensagem escondida na colagem. É um trecho da letra de uma música famosa – Sina, do cantor brasileiro Djavan. Para quem não conhece, segue a dica: https://www.youtube.com/watch?v=_sRYwj3WTDc

O segundo cartão postal – Somente 3 representa a morte de meu pai. Longe de ter uma apelo à tristesa, o cartão representa a solidão, a confusão e a dor do vazio, mas também a preciosidade e a lembrança de quem se foi. Eu deixo uma mensagem: é preciso dizer adeus e seguir em frente – mesmo sem jamais esquecer.

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Parte interna Seguindo em Frente – três flores cercadas por palavras fora de ordem e de um vento que as empurra para frente. Há também cores, formas e palavras confusas lembrando-as do passado.

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Materiais:

Papel de desenho

Caneta Hidrocor

Imagens Retiradas de Folhetos Turísticos e Revistas

Cola em bastão para fotografia

Tesoura sem ponta

Adesivo

Papel Machê

Técnica:

Colagem sobre desenho

Espero que vocês gostem!

Cellinda

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