Suicídio: Uma Batalha de Vida e Morte

Boa tarde queridos,

Hoje eu gostaria de conversar com vocês a respeito de temas que trazem um certo desconforto emocional para algumas pessoas. Suicído, vida e morte.

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***** Este post trata o suicídio como um ato compreensível – não justificável – que exige respeito e cujos sintomas podem ser reconhecidos e tratados com acompanhamento psicológico ou psciquiátrico e se necessário, com a intervenção de outros profissionais. NÃO ACONSELHADO A MENORES DE 14 ANOS*****

Só para informar, eu não estou nenhum pouco mórbida hoje. Está um dia lindo e ensolarado e estamos indo muito bem obrigada.

Mas eu sei, muito bem, que nem todos os nosso dias são felizes e que vez por outra uma estrela se apaga em nossas vidas. E nem sempre sabemos lidar bem com a perda, ainda mais quando a pessoa querida se vai por sua própria vontade.

Dedicamos este post a informação dos leitores.

E o que é o suicídio?

Obviamente, é o ato em que a pessoa tira sua própria vida deliberadamente. Para algumas religiões, como a católica, o suicídio é um pecado e quem o comete deverá passar a eternidade agonizando no Inferno. Em algumas jurisdições, o suicídio também é considerado como ato criminoso – infelizmente a sua punição advém do próprio ato de cometê-lo.

Para outras religiões, o suicídio está mais para um ato de fraqueza perante os desafios impostos pela vida ou mesmo, em culturas orientais, este ato é visto como uma forma honrosa de escapar de situações desonrosas e dolorosas ao extremo.

Mas é importante observar– O que dirige a ação auto-inflingida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem. 

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Mas porque dar cabo da própria vida?

Não encotrei definição mais clara do que a proveniente da Wikipédia para as motivações, digamos, piscicológicas, do suicídio.

” Estima-se que 2/3 das pessoas que tiram suas próprias vidas sofrem de depressão (transtorno no estado de ânimo) e que parentes de suícidas tem um risco até 5 vezes mais alto de cometer tal ato do que uma pessoa normal. Os sofrimentos psíquicos são a causa de 9 em cada 10 casos de suícidio, entre as doenças mais comuns, além da depressão, estão o transtorno de ansiedade e vícios.”

Mas nem sempre funciona assim. Algumas vezes, até mesmo você leitor, saudável e feliz, pode ter pensado no suícido como uma boa opção para findar os seus pesadelos.

Pessoas que trabalham sobre grande pressão profissional como médicos e policiais, estão bastante sujeitas ao suicídio, bem como modelos, artistas e atletas que contam com sua compleição física e que enfrentam grandes níveis de estresse e pressão social.

  • Acabando com mitos 

De acordo com documento produzido pela Universidade de Chicago (The Student Counseling Virtual Pamphlet Collection, http://counseling.uchicago.edu/vpc/, adaptado por Carolina Ferreira, Psicóloga Estagiária no GAPsi – FCUL):

De tempos a tempos, a maioria das pessoas tem pensamentos suicidas. A maioria dos suicídios e das tentativas de suicídio é feita por pessoas inteligentes, temporariamente confusas, que exigem muito delas próprias, especialmente se estiverem em crise.

Todo o tipo de pessoas comete suicídio – homens e mulheres, novos e velhos, ricos e pobres, pessoas de meios rurais e meios urbanos; ocorre em todos os grupos raciais, étnicos e religiosos.

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Abuso de Drogas e Bebidas também levam ao Suicídio

O abuso de substâncias é a segunda causa mais comum de suicídio depois dos transtornos de humor. Tanto o abuso crônico de substâncias, bem como o abuso de substâncias aguda está associada a um risco aumentado de suicídio. Isso é atribuído aos efeitos intoxicantes e desinibidor de muitas substâncias psicoativas, quando combinado com o sofrimento pessoal, como o luto o risco de suicídio é muito maior. Mais de 50% dos suicídios estão relacionados ao álcool ou drogas. Até 25% dos toxicodependentes e alcoólicos cometem suicídio. Em adolescentes, o número é maior com álcool ou abuso de drogas, que desempenha um papel em até 70% dos suicídios.

Fonte: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio)

Fique atento aos detalhes

Quem ama proteje. Portanto, fique atento a todos os detalhes para saber se uma pessoa, cujo comportamento está alterado, está mostrando sinais de que deseja dar fim à sua vida.

Alguns sinais de alarme que frequentemente são exibidos pelas pessoas deprimidas com intenção suicida são: sofrimento psicológico (tristeza intensa); perda de auto-estima; constrição (redução dos horizontes a um simples tudo-ou-nada); isolamento (sensação de vazio e de falta de amparo);desesperança; mudanças rápidas de humor; e egressão (fuga como única solução para acabar com a dor intolerável). Também a impulsividade é um dos factores importantes, pois ela modela a rapidez com que se passa do pensamento ao ato. Sinais como comentários acerca da morte ou suicídio podem expressar intenções suicidas e não devem ser desvalorizados. Os preparativos para a morte como escrever cartas aos amigos/familiares ou dar objetos pessoais de valor sentimental são, por vezes, um dos sinais mais preocupantes. Se forem detectados alguns sinais de alerta é importante não deixar a pessoa sozinha e procurar ajuda profissional.

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De acordo com estudos, 8 a cada 10 pessoas que cometem suicídio verbalizam previamente as suas intenções.

  • Falar acerca do suicídio diminui o risco?

Estudos mostram que discutir pensamentos suicidas com alguém (p.e. familiar ou profissional
de ajuda) pode ajudar a solucionar os problemas que contribuem para o pensamento suicida,
contudo, não garante a redução do risco de suicídio.

Mesmo que você se acredite impotente para ajudar nesta situação, converse com a pessoa, tente ajudá-la a compreender o que está acontecendo. Ajude-a a procurar um profissional para conversar a respeito.

As pessoas que ameaçam ou tentam suicídio estão na verdade à procura de ajuda. Considerar este comportamento manipulativo não diminui de forma alguma o potencial letal das suas ações.

Discutir intenções suicidas com a pessoa de uma forma sensível e directa pode diminuir o risco de suicídio. A abertura e preocupação dos outros em perguntar sobre o suicídio a uma pessoa vulnerável, vai permitir-lhe experienciar dor ao falar no seu problema, o que pode ajudar a reduzir a sua ansiedade. Isto pode também permitir à pessoa com pensamentos suicidas sentir-se menos só e isolada, e talvez um pouco aliviada.

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Pessoas que já tentaram o suicídio – sem sucesso -não voltarão a cometê-lo?

O que costuma acontecer é justamente o oposto, na verdade. As pessoas que fizeram tentativas prévias podem estar em maior risco de cometer o suicídio; numa segunda ou terceira vez, as tentativas de suicídio podem parecer mais fáceis para algumas pessoas.

  • Quando uma pessoa que tentou suicidar-se se começa a sentir melhor, o perigo acaba?

A maioria dos suicídios ocorre 90 dias após a melhoria do estado mental da pessoa.

Seria eu um suicida em potencial?

Conhecer o suicídio implica reconhecer os factores de risco. Destacam-se os seguintes:

Psicopatológicos – sofrer de depressão, esquizofrenia, alcoolismo, toxicodependência ou distúrbios de personalidade; estar sujeito a modelos suicidários: familiares ou amigos; ter tido comportamentos suicidários prévios; e demonstrar intenção suicida.

Demográficos – ter entre 15 e 24 anos ou mais de 45; pertencer ao sexo masculino; ter ocorrido a morte de pessoas significativas (p.e. pais, conjugue, etc.); ter escolaridade elevada; apresentar doenças terminais (HIV, cancro, etc.); E ter uma família desagregada (por separação, divórcio ou viuvez). 

Psicológicos – desesperança (sensação de nada valer a pena); culpabilidade por actos praticados; e perda de pessoas significativas. 

Sociais – habitar em meio urbano; estar desempregado; ter emigrado; ter falta de apoio familiar e/ou social; e ser reformado. Importa, contudo, considerar que cada indivíduo lida com a tensão e o sofrimento de formas diferentes e a presença de múltiplos fatores de risco não implica necessariamente que a pessoa cometa suicídio. Na maioria das vezes, é a junção de alguns dos fatores supra mencionados que desencadeiam uma sensação de desespero suficientemente intensa para colocar a ideia de suicídio, daí, ser importante estar atento aos sinais que as pessoas podem emitir em relação à ideia de poder pôr termo à vida.

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O que eu posso fazer para ajudar?

Considere-se a utilidade de algumas pistas sobre como DEVE reagir nesta situação:

• É importante levar a pessoa a sério, mantendo-se calmo e essencialmente escutando.

• Importa saber se a pessoa possui planos específicos e qual o método de suicídio que está a ser considerado. 

• É igualmente importante não prometer confidencialidade, pois poderá ser necessário falar com amigos, familiares ou técnicos de saúde.

• Reconhecer os sentimentos da pessoa, oferecer confiança, ser empático e não crítico é fundamental.

• Realçar o fato de o suicídio constituir uma solução permanente para um problema que, ainda que parecendo irreversível, pode ter saída, lembrando a pessoa de que existe ajuda.

• Estabelecer um “pacto de não-suicídio” pedindo à pessoa que garanta que quando sentir vontade de se magoar não vai cometer suicídio, mas antes procurar ajuda (p.e. contactar alguém previamente acordado).

• Encaminhar e falar sobre a importância de ter o apoio de alguém com habilitações para o ajudar (p.e. médico ou psicólogo).

• Considerando que o suicídio é um acto tendencialmente impulsivo e que corresponde a um período em que a pessoa está mais confusa e fragilizada, é importante não deixá-la sozinha (p.e. junto de alguém familiar). Caso não exista essa possibilidade, deve ponderar-se a hipótese de internamento, que poderá ser contextualizada à pessoa, não como se algo de profundamente errado se estivesse a passar com ela, mas simplesmente como um modo de se proteger dela própria, enquanto a ideação suicida estiver ativa.

• Não menosprezar o papel que certas crenças religiosas ou morais podem ter no desenrolar da situação. Certas pessoas podem ver nestas dimensões a última barreira a ultrapassar para cometer suicídio. Assim, devemo-nos aliar às “forças da vida”, e neste caso, promover  uma empatia com as crenças da pessoa e utilizá-la em prol do objectivo: diminuir a probabilidade de a pessoa pôr termo à vida.

A quem eu posso pedir ajuda?

Se você se encontra em uma situação delicada, ou precisa ajudar alguém que se encontra nesta situação, sempre busque ajuda. As fontes de apoio usualmente disponíveis são:

• família;
• companheiros/namorados;
• amigos;
• colegas;
• clérigo;
• profissionais de saúde;
• grupos de apoio, ex.: Centro de Valorização da Vida (CVV)
http://www.cvv.com.br.

Quer saber mais?

Pesquisa Científica e Governamental http://www.fc.ul.pt/sites/default/files/fcul/institucional/gapsi/O_desejo_de_morrer.pdf

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_editoracao.pdf

Leitura Recomendada

“Stephen Vive – Meu filho Stephen: Sua vida, Suicídio e Vida após a Morte” da autora Anne Puryear.

Lembre-se sempre de oferecer apoio a quem precisa. Dedique-se a escutar as necessidades dos outros e coloque os sentimentos de paz, solidariedade e respeito em primeiro plano. 

Quando você não puder mais caminhar sozinho, procure ajuda. Há sempre alguém para lhe estender a mão.

Fiquem com Deus (no sentido mais amplo)!

Cellinda

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